domingo, 10 de agosto de 2014

MANUAL DOS PUDEROSOS DE PLANTÃO - PARTE 1




A partir dessa edição, em homenagem ao período eleitoral, a coluna A CIDADE NÃO PARA dedicar-se-á a publicar, em partes, a série especial “Manual dos puderosos de plantão” (com “u” mesmo). Uma receita comprovada de como alcançar o poder e nele permanecer até o fim dos tempos (ou até que nós, cidadãos, não deixemos mais que nos enganem). 
A de hoje se dedica aos PREPARATIVOS DE CAMPANHA. Picaretagens básicas e essenciais para aqueles que pretendem se dedicar à profissão de sanguessuga social, e alcançar o tão desejado e disputado status de “puderoso de plantão”. Boa leitura!

1- NETWORK - Invista em seus relacionamentos escusos. Promova jantares, viagens, orgias e outros tipos de eventos privê onde você possa esbanjar dinheiro e demonstrar que faz tudo o que for preciso para alcançar o poder. Convide empresários desonestos, políticos corruptos, prostitutas, banqueiros, especuladores financeiros, líderes sindicais pelegos, representantes de oligarquias e de setores influentes de nossa macro-economia, donos desonestos de planos de saúde, de empreiteiras, de empresas de transporte público, de laboratórios farmacêuticos, de veículos de comunicação. Se conseguir garantir a presença de juízes corruptos e “operadores” de grandes partidos (gente que tem como trabalho fazer caixa dois a partir do dinheiro público), melhor ainda. Suas festinhas precisam ser “sacanas” o suficiente para todos os convidados se sentirem “cúmplices” e parte de uma “irmandade”. Eles precisam saber que você é tão cretino quanto eles. Que você é farinha do mesmo saco. Daí virá a confiança mútua (quem tem teto de vidro não atira pedras).

2- ARRECADAÇÃO DE RECURSOS - A partir dos contatos que você fizer e mantiver em suas festinhas privê e em restaurantes badalados da cidade (o Piantella, em Brasília, é sempre uma ótima opção), com a ajuda de seus amigos, consiga dinheiro público desviado por meio de licitações dirigidas, convênios e contratos de repasse feitos a prefeitos e vereadores corruptos em troca de votos e dinheiro “em cash”, superfaturamento de obras públicas, desvio de recursos da merenda escolar, de material hospitalar, e outras coisinhas que, apesar de serem essenciais para a população, para você são inúteis, e não servem para se ganhar uma eleição.

3- DOAÇÕES DE CAMPANHA - O desvio de dinheiro dos cofres públicos tem duas vantagens: a primeira é que a população mais carente ficará sem os serviços públicos essenciais, na miséria, mais vulnerável a suas falsas promessas miraculosas, e mais dependente de favores pessoais que você fará a eles a conta-gotas com o uso do dinheiro roubado deles próprios (mas felizmente pra você eles não sabem disso). A segunda vantagem é que esse dinheiro será “lavado” e entrará limpinho no seu bolso, por meio de doações de campanha, feitas pelas empresas dos picaretas que estão fazendo parte de sua quadrilha. Os caras para os quais você desviou o dinheiro não te deixarão na mão, porque eles sabem que você não passa de uma prostituta que faz tudo pelo poder, e que continuará fazendo tudo o que eles quiserem que você faça, tanto nos parlamentos quanto nas prefeituras, governos dos Estados ou Presidência da República. Então não se preocupe. Não faltará dinheiro em sua campanha. Basta abanar o rabinho que o dinheiro aparecerá do nada, como se fosse mágica!

4- O MARKETING - Agora que você já tem a grana necessária, pode contratar um marqueteiro mercenário pra te ajudar a enganar os eleitores. Não tenha medo de que os seus adverários contratem todos e você fique sem nenhum. Tem marqueteiro picareta pra tudo quanto é lado, e a maioria dos bons joga pros dois lados, desde que você tenha alguns milhõezinhos pra agradá-los, claro. Uma coisa que ajuda bastante é você acertar com os donos de agências publicitárias que, caso ganhe as eleições, irá direcionar para suas empresas as licitações de publicidade institucional do órgão para onde você vai, e das empresas públicas que puder. Muitas agências farão sua campanha até de graça pra depois poderem mamar também nas tetas do dinheiro público, que, dizem, tem gostinho de mel.

5- PROBLEMAS COM A LEI - Esse ponto você nem precisa se preocupar. Você tem muito dinheiro e a legislação eleitoral ajuda tudo o que você precisar, afinal, quem a faz são os próprios que dela se utilizam, não é mesmo? Um dia você também ajudará seus colegas candidatos bandidos com alguma modificação calhorda na lei eleitoral. O ruim é que, quando você facilita a sua vida, facilita também a vida dos seus concorrentes. Mas isso não é tão problema assim. Porque a regra é: não mexa comigo que eu não mexo com você. Se você teve suas contas desaprovadas, ou cometeu alguns crimezinhos de leve, ou mesmo alguns ou muitos crimes bem sérios, não se preocupe que sempre vai ter alguém que vai dar um jeitinho pra você. Afinal, os puderosos de plantão sempre estão prontos a ajudar os amigos puderosos (nunca se sabe quando eles também vão precisar da sua ajuda…).

Na próxima semana, a parte 2: COMO FAZER O ELEITOR DE TROUXA.


* Edson José Travassos Vidigal é candidato a deputado estadual nestas eleições pelo PTC, número 36222. É advogado membro da Comissão de Assuntos Legislativos da OAB-DF, professor universitário de Direito e Filosofia, músico e escritor. Especialista em Direito Eleitoral e Filosofia Política, foi servidor concursado do TSE por 19 anos. Assina a coluna A CIDADE NÃO PARA, publicada no JORNAL PEQUENO todas as segundas-feiras.

Siga Edson Vidigal no Twitter!

Twitter: @Edson_Vidigal
Facebook: edson.vidigal.36
e-mail: contato@edsonvidigal.com.br
Blogs: edsontravassosvidigal.blogspot.com.br



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

CARTA ABERTA SOBRE DOAÇÃO DE CAMPANHA (06.08.14)

Por Edson Vidigal 36222*

Ontem recebemos nossa primeira doação de campanha de alguém de fora da família (até então os recursos de nossa campanha se resumiam a R$ 5.000,00 doados por mim, frutos de meu atual salário como professor, e R$ 5.000,00 doados por minha mãe, servidora pública aposentada)
Recebemos da amiga Lourdinha Placido Silva Matheus e seu esposo Tupaceretan Matheus uma importante doação, de R$ 1.000,00 (mil reais).

O valor pode parecer pequeno comparado às milionárias doações de empresas que os demais candidatos recebem, mas é enorme para uma pessoa de bem, que ganha sua vida trabalhando honestamente, que luta para chegar ao fim do mês com as contas em dia, e que apesar de todas as dificuldades que encontra para viver em nossa sociedade de forma digna, tem consciência de seu papel como cidadão, e ainda acredita que pode fazer a diferença.

Políticos financiados por empresas devem satisfação a elas. Estão comprometidos com os investimentos feitos por entidades que visam apenas ao lucro.

Eu me recuso a aceitar qualquer centavo que seja de uma empresa. Mas aceito de bom grado todo tipo de ajuda ou apoio dos cidadãos de bem, aqueles com os quais posso me comprometer.

Meu compromisso é com o empoderamento dos cidadãos. Com a inclusão política de todos. Com a verdadeira mudança em nossa sociedade.

E é enorme a minha satisfação em ver que ainda existem pessoas que se sacrificam por aquilo em que acreditam. Que se entregam por uma causa justa. Que se engajam, que se comprometem. Pessoas que não aceitam apenas ficar olhando a tudo acontecer em cima do muro. Pessoas que sabem que só depende de nós mesmos os rumos de nossa vida.

Mahatma Gandhi sempre dizia que, quando a causa é justa, aparece ajuda de todos os lados. E tenho aferido essa verdade na prática.

Quando me propus, em Brasília, a abrir mão de meus cargos públicos, de minha aposentadoria, de minha estabilidade financeira, a fim de me engajar nessa luta política, eram apenas eu e alguns poucos amigos do Ministério do Esporte acreditando que era possível.

Quando voltei a São Luís, no meio do ano passado, com vistas a difundir o meu ideal e iniciar esse trabalho de agregação de pessoas de bem na luta por transformar a política do Maranhão, durante meses fomos apenas eu e meu amigo Samartony Martins, o único que, a princípio, acreditou.

Fomos durante meses chamados por todos de "românticos idealistas". Diziam-nos que éramos Don Quixote e Sancho Pança, cavaleiros errantes em uma cruzada romântica que não iria dar em nada.

Na convenção do partido, quando me filiei, éramos apenas eu, Samartony, Leo Estrela e Everton Pacheco.

Mas depois de um duro começo, logo foram aparecendo outros "românticos idealistas" que se uniram a nós, formando um incrível exército de Brancaleone, a vagar de porta em porta em uma cruzada por difundir idéias e sonhos.

Hoje, cerca de um ano depois do início de nossa cruzada por iniciar uma verdadeira transformação política, já somos mais de 50 pessoas engajadas no projeto MUITOS, por muitas cidades, tanto aqui no Maranhão, quando em outros Estados. O projeto MUITOS já está se propagando em cidades como Brasília, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, dentre outras.

Fico muito feliz e agradeço de coração a todos os amigos de nosso grupo MUITOS, por terem acreditado, por terem se esforçado, por terem tido coragem de serem chamados de loucos por muitos que deixaram de acreditar no bem e na verdade, que se deixaram acomodar em suas poltronas enquanto os "puderosos de plantão" foram ocupando todos os espaços e nos expulsando da vida política.

Agradeço do fundo do coração a nossa amiga Lourdinha Placido Silva Matheus e seu esposo Tupaceretan Matheus, por sua importante doação. Quem vive do fruto de seu trabalho sabe muito bem o valor de R$ 1.000,00 e a falta que essa quantia faz no fim do mês em nosso orçamento.

Essa doação foi um grande gesto de desprendimento, de coragem, de auto-sacrifício, de entrega por uma causa maior que nós.

Fiquei muito emocionado e comovido. E tenho me emocionado muito com todas as manifestações de apreço, com todos os votos de confiança que temos recebido, por todas as palavras de força, de incentivo.

Por todo o carinho com o qual todos nós do projeto MUITOS temos sido recebidos nas casas de pessoas simples, trabalhadoras, honestas, que por mais que tenham sido por toda a sua vida excluídas de nossa sociedade, ainda conseguem acreditar na democracia e na existiencia de pessoas boas, assim como elas, que podem fazer a diferença.

Agradeço do fundo do coração a Lourdinha e Tupaceretan por sua importantíssima doação, que será por nós destinada à confecção de 10.000 panfletos em formato A5 (15x21cm), ao custo de R$ 916,00, que estão sendo feitos na gráfica AQUARELA, conforme nota fiscal que disponibilizaremos em breve aqui na internet.

A doação de vocês propiciará a que a nossa mensagem chegue a muitas pessoas, e que, aos poucos, mais pessoas de bem conheçam o nosso projeto e se engajem nessa luta contra os "puderosos de plantão", a favor da cidadania e das pessoas de bem.

Nosso material gráfico atualmente se resumirá apenas a estes 10.000 panfletos em formato A5 (R$ 916,00), 20.000 panfletos 10x15cm (R$ 912,00), 1.000 adesivos 10x30cm (R$680,00) e 200.000 "colinhas eleitorais" 6x9cm (R$ 3.120,00).

Isso não é nem um grão de areia no deserto perto da quantidade dos infinitos rios de papel jogados nas ruas pelos candidatos financiados por empresas. Mas para nós é material suficiente para de boca em boca, um a um, possamos conversar com as pessoas sobre nosso projeto e dar-lhes impresso o endereço de nosso site, onde poderão conhecer melhor nossas idéias e propostas, e de onde poderão se engajar com os demais do grupo, empoderar-se a partir das ferramentas que estamos construindo, e levar empoderamento aos demais cidadãos.

Até agora os custos de nossa campanha se resumem a estes com material gráfico, a R$ 1.050,00 que foram pagos por 30 adesivos perfurados para vidros de carro (ao custo de 35,00 cada), a R$ 2.600,00 que serão pagos pela programação de nosso site, R$ 8.000,00 reais a serem pagos em 4 parcelas de R$2.000,00 pelo design de todo o material de nossa campanha e a R$ 6.100 reais a serem pagos, em duas parcelas, pelos matérias publicitários voltados à internet e pelo trabalho de administração de nosso site, de nossos perfis de campanha nas redes sociais e os demais trabalhos relativos à disseminação de nossos ideais na internet durante esses 3 meses de campanha.

Chamo a atenção para o fato de que todos estes valores relativos a serviços pregados são ridiculamente pequenos (quem trabalha com isso sabe) pelo único motivo de que TODOS os profissionais que foram citados acima fazem parte do projeto MUITOS, acreditam nele e cobraram muito menos do que seus preços normais, de forma a ajudarem o projeto.

Até agora nossa previsão de gastos não chega a 30 mil reais. Gastamos somente o que conseguimos ter a partir de dinheiro limpo, suado, honesto. E mesmo que consigamos mais ajuda, independente de o partido ter estipulado como teto de gastos para as campanhas dos candidatos a deputado estadual o valor de 1 milhão de reais, eu estipulei para a minha campanha o teto máximo de 100 mil reais, aconteça o que acontecer. Acredito que mais do que isso não é razoável para uma atividade democrática que deveria se sustentar no dinheiro de cidadãos trabalhadores, e não em financiamento de empresas que compram as eleições, a democracia e nossas vidas.

Faremos todo o possível para economizar e gastar da melhor forma possível cada tostão que recebermos. Esse é um compromisso intransigente com todos que se sacrificam pelo projeto e sabem o valor de seu suor, de seu trabalho.

Nossa campanha não terá o máximo de transparência possível, nossa campanha será TOTALMENTE TRANSPARENTE. Financeiramente e estrategicamente. Nada aqui é segredo e estamos a disposição de toda a sociedade para todos os esclarecimentos que qualquer um quiser.

Novamente agradeço emocionado a importantíssima doação recebida. Que seja a primeira de muitas outras de pessoas que acreditam. Não queremos dinheiro. Queremos cidadania. Se você doar apenas 1 real já está fazendo a sua parte, mostrando que se importa, que quer fazer parte dessa mudança. Que é um cidadão e que as empresas não podem comprar a sua cidadania. O seu voto. O seu poder de cidadão.

Todos os gastos que efetuarmos e todas as doações que recebermos serão postadas aqui, em nosso site, em todos os nossos canais de internet, devidamente documentados.

Espero que tenhamos uma lista grande de doadores em nossa campanha, com nomes de pessoas de bem conscientes, e valores coerentes com doações de quem ganha dinheiro vivendo honestamente. Não queremos fortunas. A democracia não pode estar à venda. Queremos apenas a sua participação, para mostrar a todos os demais, que você acredita, que você é dono de sua vida, e que o seu voto vale tanto quanto o voto de qualquer outro cidadão. E ele não está a venda.

Doe 50 reais, 10 reais, 5 reais, 1 real, o que for, apenas para que você possa nos ajudar a mostrar aos outros o seu exemplo. O exemplo de dignidade e cidadania. O exemplo de alguém que participa.

A cada dia que passa, somos mais MUITOS.

E, com certeza, ainda terão muito que nos respeitar.

pois pois.

Um grande beijo a todos os amigos e obrigado por sua paciência comigo, por sua vontade de mudar e de fazer a diferença.

#juntossomosmuitos.

* Edson José Travassos Vidigal é candidato a deputado estadual nestas eleições pelo PTC, número 36222. É advogado membro da Comissão de Assuntos Legislativos da OAB-DF, professor universitário de Direito e Filosofia, músico e escritor. Especialista em Direito Eleitoral e Filosofia Política, foi servidor concursado do TSE por 19 anos. Assina a coluna A CIDADE NÃO PARA, publicada no JORNAL PEQUENO todas as segundas-feiras.

Siga Edson Vidigal no Twitter!

Twitter: @Edson_Vidigal
www.edsonvidigal.com.br
Facebook: edson.vidigal.36
canal do youtube:https://www.youtube.com/channel/UCCGmNJga6Xhj9PCn1_tDrug
e-mail: contato@edsonvidigal.com.br
currículo: http://lattes.cnpq.br/7417413719215392
Blogs: edsontravassosvidigal.blogspot.com.br
http://blog.jornalpequeno.com.br/edsontravassosvidigal


sábado, 2 de agosto de 2014

CARTA ABERTA (02.08.14)




Sei que muitos esperam que apareça um salvador. Um índio que desça de uma estrela colorida, brilhante. De uma estrela que virá numa velocidade estonteante, e que pouse no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante.

Sei que desde a vinda de cristo todos aguardam o seu retorno. Ou, enquanto isso não aconteça, esperam a aparição de um grande herói que possa lutar contra a tirania, a desigualdade, o mal em todas as suas formas. Que possa nos salvar daqueles que abusam de nossas vidas, de nossas esperanças, de nossos sonhos.

E isso é uma cultura incutida na cabeça de todos nós durante séculos, de forma a garantir que todos nós sejamos mansos, indefesos, despreparados, dependentes sempre de um outro alguém. 

De um dourado salvador, que nas horas convenientes sempre aparece na pele de um novo político novo, que representa o novo, a nova mudança, a nova esperança de novos dias, a nova alegria de viver. Um novo rosto que encobre as mesmas novas antigas práticas, os mesmos novos repisados vícios, os mesmos novos descaminhos que outrora foram seguidos por tantos outros novos antes deste.

Sempre o mesmo novo museu de grandes novidades.

Esse culto à personalidade que predomina em nossa política só nos leva a isso. A sermos iludidos de que alguém fará o que deve ser feito. A falsa ilusão de que alguém fará o que todos nós devemos fazer. Que podemos ficar sentados assistindo ao Faustão enquanto nossos heróis lutam e zelam por nós.

Ninguém fará o nosso trabalho. Ninguém fará por nós o que deve ser feito.

Nunca conseguiremos ser de fato livres enquanto não agirmos como tais. Donos de nossas escolhas, de nossos sonhos, de nossos pensamentos, de nossas ações.

Nunca nos livraremos da opressão, dos abusos de nossos governantes, enquanto não entendermos que esse salvador não existe. Que as únicas pessoas que podem nos salvar somos nós mesmos.

Se você quer algo, lute por isso. Faça o que deve ser feito. Não morra à espera de alguém que faça o que é o seu papel na sua vida.

Uma vez ouvi um relato de um velho político tradicional, que ainda se apresenta como novo apesar de seus lindos cabelos brancos, e de seus mais de meio século de vida política, que me fez parar pra refletir sobre toda a situação de nosso Estado de forma muito crítica, e a repensar posicionamentos meus antigos.

Ele me disse que entrou na política porque, ainda pequeno, criança, ao ver abusos cometidos contra a população, perguntou a alguém porque aquilo estava acontecendo. E lhe disseram que era a mando de um político mau, chamado Vitorino Freire. A partir de então ele decidiu dedicar a sua vida para salvar o Maranhão das garras de Vitorino Freire. E em sua cruzada contra o mal aliou-se ao herói da época, José Sarney, que tanto fez que conseguiu livrar o Maranhão de Vitorino Freire.

Tempos depois, continuou aquele político, percebeu ele que havia feito um grande mal lutando para ajudar José Sarney a alcançar o poder, pois Sarney não seria aquilo que ele acreditava. E se voltou contra Sarney, na tentativa de salvar o Maranhão das garras daquele falso herói. 

E isso tudo ele me disse como introdução para onde ele queria chegar. Dizer-me que havia aprendido a lição e não seria novamente enganado pelo herói que agora se apresentava à população. Que ele não iria cometer duas vezes na vida o mesmo erro (ou três). 

E não é que, para minha surpresa, esse velho novo senhor agora está pra lá e pra cá bebendo da água que havia jurado não mais beber? Mais uma vez se alistou na esquadra de um novo herói que salvará o Maranhão, como antes tantos outros também salvaram, e tantos outros continuarão ainda por toda a eternidade, jurando salvar.

E essa parábola (que não tenho certeza se é real ou ficção - qualquer coincidência é pura semelhança…) me levou a refletir, pensar, orar por sabedoria e compreensão necessárias para o discernimento.

E concluí que enquanto existirem heróis, sempre haverá fracos oprimidos a serem salvos.

Enquanto houver promessas de resolução, sempre existirão problemas a serem resolvidos.

Enquanto houver novos cavaleiros charmosos montados em seus negros corcéis, sempre existirão frágeis damas à espera de serem salvas, à mercê de serem abusadas.

Sinto desapontar alguns, mas eu não sou, nunca quis ser, e nunca serei um herói. Estou apenas fazendo a minha parte, cumprindo com o meu papel de cidadão. De pai, de marido. Estou apenas lutando contra a neblina que se instalou em nossa sociedade, em nossos pensamentos, que nos impede de ver o que de fato está acontecendo. Nos impede de entender o nosso verdadeiro papel nessa novela. 

O papel de protagonistas, e não de meros figurantes.

Estou apenas tentando fazer de minha vida um exemplo de que cada um pode fazer de sua vida um exemplo aos demais, e assim podemos todos construir uma sociedade mais justa, mais digna. Assim podemos criar nossos filhos para crescerem em um mundo melhor, livre de heróis e de bandidos. 

Livre de moinhos de vento e de donzelas assustadas.

Peço a todos os que convivem comigo, encarecidamente, que não me chamem de doutor. Não me chamem de deputado. Não caiam na armadilha que nos amaldiçoaram desse eterno culto à personalidade de alguns. Isso só serve para a discriminação social. Para a marginalização de muitos. Para o "endeusamento" de poucos.

Sou isso que vocês conhecem. Chato, Turrão, louco, persistente, insistente, sonhador, um pouco inocente, mas sobretudo consciente de muitos problemas que precisamos enfrentar se quisermos mudar nossa situação. E não podemos ceder às seduções das vaidades sociais, e ao mito do poderoso salvador.

Eu não posso salvar ninguém. Talvez nem a mim mesmo. 

Apenas juntos, acredito que possamos nos salvar a todos.

Um grande beijo a todos os amigos e obrigado por sua paciência comigo, por sua vontade de mudar e de fazer a diferença.


* Edson José Travassos Vidigal é candidato a deputado estadual nestas eleições pelo PTC, número 36222. É advogado membro da Comissão de Assuntos Legislativos da OAB-DF, professor universitário de Direito e Filosofia, músico e escritor. Especialista em Direito Eleitoral e Filosofia Política, foi servidor concursado do TSE por 19 anos. Assina a coluna A CIDADE NÃO PARA, publicada no JORNAL PEQUENO todas as segundas-feiras.

Siga Edson Vidigal no Twitter!

Twitter: @Edson_Vidigal
Facebook: edson.vidigal.36
e-mail: contato@edsonvidigal.com.br
Blogs: edsontravassosvidigal.blogspot.com.br

quarta-feira, 30 de julho de 2014

TOM CRUISE E A DEMOCRACIA


Tom Cruise no filme "Questão de honra", de 1992




A democracia é uma ferramenta que funciona baseada em um sistema de freios e contrapesos (check and balances). Uma sociedade pluralista que aceita a diversidade e estimula a diferença. 

E para quê isso? 

Para que sempre exista a oposição. 

A oposição de idéias, de pensamentos, de objetivos, de sonhos. Tudo isso baseado na dignidade da pessoa humana, que em palavras reduzidas, significa a capacidade e o direito da pessoa humana (que não é coisa, e por isso nunca é meio, mas sempre fim) de se autodeterminar. 

E essa oposição é necessária para que se impeça que o poder se cristalize nas mãos de um ou de alguns. Pois a tendência do acúmulo de poder é sempre o seu abuso.
Daí a necessidade do jogo da democracia, onde é necessário se aceitar jogadores desleais, sem escrúpulos, mal intencionados, além daqueles que se gostaria de ver. Isso porque aqueles primeiros também são capazes de oferecer oposição, mesmo a outros mal intencionados, seus pares.

E daí é necessário ter também jogadores bem intencionados. 

Porém a força dos bons sempre é menor, pois é mais fácil fazer o mal, sem seguir regras, do que fazer o bem, dentro dos estreitos limites do valor, do que é certo.

Cabe aos poucos e fracos jogadores bem intencionados estarem no jogo sempre, unindo forças, procurando canalizar as forças adversárias para o caminho do bem, ou pelo menos tentando canalizar tais forças para impedir a cristalização do poder.

Em uma luta com dois lutadores, se um cair, a luta acabou. Com três, há tempo para o primeiro que cair levantar e voltar a ela antes que o segundo caia. Com muitos, existe o eterno conflito, que garantirá que nunca alguém se sobressaia por muito tempo.

Essa é nossa maior garantia. Daí se fundamenta a ferramenta chamada democracia, que se utiliza de ferramentas outras que são sua manifestação. Ferramentas várias de onde costumo ressaltar o pluralismo constitucional (a tripartição dos poderes, que na realidade não são poderes, mas funções apenas), o pluralismo político (que garante a pluralidade de ideologias, ideias politicas etc) e o pluralismo partidário (ou pluripartidarismo, que garanta a existência de pelo menos dois partidos sendo que um possa de fato oferecer oposição ao outro).

E toda essa coisa chata e teórica é necessário para que entendamos que é importante que pessoas boas entrem nesse jogo. 

E é importante que as pessoas acreditem nele. Pois por pior que possa parecer, ainda não existe nada melhor que possamos utilizar.

Eu já fui muito descrente da democracia e de toda essa politicagem. E demorei quase 30 anos pra perceber muitas coisas, dentre as quais as que estou te dizendo agora.
Entrei cedo para o judiciário, e rapidamente já estava vendo toda a pilantragem que lá existe. Sempre quis ser advogado, desde criança, para tentar fazer justiça. Vi um filme chamado "Questão de honra", onde o Tom Cruise era um advogado lutando contra os abusos de poder do sistema, e nunca mais fui o mesmo depois disso. Eu queria isso pra minha vida. Lutar contra a injustiça, contra os poderosos, contra tudo o que fosse necessário para seguir vivendo de acordo com o que era honrado.

Porém, com apenas 3 anos de judiciário eu já tinha entendido que eu não iria conseguir nenhuma justiça lá. Me desiludi com o sistema e com o direito. Larguei o curso de direito e fui fazer filosofia. Larguei o TSE, um cargo de direção que me garantia quase 6 vezes o meu salário do meu cargo efetivo, fiquei endividado por uns 5 anos, mas dormia com a cabeça tranquila toda noite.
Passei vários anos estudando muito, e percebi que eu tinha que voltar pro campo de luta. Voltei e concluí meu curso de direito, voltei e entrei em várias batalhas.

Esse meu testemunho é pra dizer que é importante que as pessoas acreditem que podem fazer a diferença. É importante que as pessoas tentem fazer a diferença. É importante que se fomente isso. Que se dê o exemplo. 

Pois senão a cada dia existirão menos pessoas boas na sociedade. E a batalha estará perdida.

Por favor, reflitam sobre isso.

Não é bom desestimular as pessoas a tentar fazer diferente. A deixar de tentar. De se sacrificar.

Assim como Tom Cruise me estimulou a dedicar minha vida a lutar pela justiça, tento fazer isso com os outros. 

Acho que vocês todos tem tudo pra ser pessoas que, também, consigam estimular o que tem de melhor nas demais pessoas.

Com Rock Balboa aprendi que na vida, o importante não é bater mais forte. É, não importa o quanto apanhemos, aguentar as porradas e seguir em frente. 

Ganha não quem sabe bater, mas quem aguenta apanhar.

Não desistam. Nunca!

(Esse texto é uma adaptação de uma carta que enviei uma vez a uma pessoa que se tornou um amigo e uma grande fonte de inspiração)

* Edson José Travassos Vidigal é candidato a deputado estadual nestas eleições pelo PTC, número 36222. É advogado membro da Comissão de Assuntos Legislativos da OAB-DF, professor universitário de Direito e Filosofia, músico e escritor. Especialista em Direito Eleitoral e Filosofia Política, foi servidor concursado do TSE por 19 anos. Assina a coluna A CIDADE NÃO PARA, publicada no JORNAL PEQUENO todas as segundas-feiras.

Siga Edson Vidigal no Twitter!

Twitter: @Edson_Vidigal
Facebook: edson.vidigal.36
e-mail: contato@edsonvidigal.com.br
Blogs: edsontravassosvidigal.blogspot.com.br
 — com Edson Vidigal.