terça-feira, 22 de julho de 2014
Diego Emir: Assim você não se elege!
Diego Emir: Assim você não se elege!: A frase que mais tenho ouvido nos últimos meses é essa: "Assim você não se elege". Isto porque sou completamente intransigente e...
segunda-feira, 21 de julho de 2014
ASSIM VOCÊ NÃO SE ELEGE!
Por Edson Vidigal*
A frase que mais tenho ouvido nos últimos meses é essa: "Assim você não se elege".
Isto porque sou completamente intransigente em relação aos fins e aos meios pelos quais conduzo minha vida, minha atuação social e política e, agora, minha candidatura ao cargo de deputado estadual na Assembléia Legislativa do Maranhão.
Não comungo e nunca comunguei com a máxima, erroneamente atribuída a Maquiavel, de que "os fins justificam os meios". Muito pelo contrário, sempre a combati. Acredito que cada porta leva a um cômodo diferente. De cada escolha ecoam consequências diretas e coerentes com cada ação.
A filosofia dos "puderosos de plantão" é "tudo pelo poder, a qualquer custo".
E dela advêm frases célebres, que cumprindo os vaticínios de Rui Barbosa, fazem os honestos se envergonharem de seu caráter.
Coisas como "primeiro preciso chegar ao poder, para depois poder ajudar a população"; "primeiro precisamos inchar o bolo, para depois podermos reparti-lo"; "sem espremer limões não se fazem limonadas"; ou até "na vida, é preciso passar por cima de todo mundo, nem que para isso seja preciso passar por cima de todo mundo"...
Me desculpem os políticos tradicionalistas que talvez até acreditem nisso, mas para mim isso tudo não passa de muita hipocrisia, muita demagogia, muita falta de vergonha na cara.
Se, de fato, pretende-se mudar algo, não é fazendo o que se pretende combater que alguém alcançará algum êxito.
Não é mentindo para alguém que se convencerá esta pessoa a deixar de mentir. Não é roubando que se conseguirá acabar com os roubos. Não é jogando lixo nas ruas que se conseguirá que todos mantenham a cidade limpa. Em suma, é só pelo exemplo que se consegue mudar algo.
Quem muito fala e nada faz não passa de um hipócrita. Quem condena o outro e age igual não passa de um hipócrita. Quem condiciona algum trabalho a estar ocupando algum cargo público não passa de um hipócrita.
Quem de fato tem algo a contribuir, contribui, independente de ocupar ou não ocupar cargos ou funções públicas. Como cidadão mesmo.
Quem de fato está imbuído de boas intenções, comprometido com algum projeto, fala não com palavras, mas com ações.
Dedico e sempre dediquei minha vida a tentar encontrar e resolver os problemas que levam aos abusos de poder político e econômico, que para mim se constituem nos verdadeiros problemas sociais, raízes de todos os demais. E muitos dos problemas que encontrei dizem respeito justamente ao processo eleitoral, quando são reforçados todos os laços que amarram representantes eleitos e interesses pessoais de todo tipo de parasitas sociais.
Não faz sentido eu me candidatar, me oferecer como opção para que eu possa representar uma parcela da população no parlamento estadual, se, tendo consciência dos problemas que precisam ser combatidos, ao invés de combate-los, me associar a eles.
Se eu digo que não comprarei nenhum voto, me dizem que assim eu não serei eleito. Se eu digo que não pagarei nem oferecerei nenhuma vantagem pessoal a nenhum líder comunitário, me dizem que assim eu não serei eleito. Se eu digo que eu não aceito dinheiro de nenhuma empresa, me dizem que assim eu não serei eleito. Se eu digo que eu não quero voto aliciado, fruto de currais eleitorais, que eu não quero votos ignorantes, mas apenas votos conscientes, me dizem que eu sou arrogante e prepotente, e que assim eu não serei eleito.
Pois bem, arrogância e prepotência é achar e pregar que nossa população não tem condições de votar consciente. Arrogância e prepotência é achar que nossos concidadãos são ignorantes e nunca serão capazes de entender a política e de votar com consciência. É achar que a política sempre vai ser esse promíscuo e nojento troca-troca de favores pessoais. Isso é que é arrogância e prepotência. Além de ser, também, hipocrisia, demagogia e a mais rasteira ignorância.
Digo, repito e repetirei quantas vezes forem necessárias: Não quero voto ignorante. Só quero votos conscientes. E quem achar que isso é arrogância, que vote em alguém que queira votos ignorantes. Que queira se eleger a qualquer custo. Que deseje e sonhe com o poder, não importando o preço que se tenha que pagar por ele.
Eu (quem me conhece sabe bem isso) estou pouco me lixando para o poder, para os puderosos e para todos os papagaios de pirata que orbitam como moscas as suas pobres cabecinhas pequenas.
Meu objetivo é agregar pessoas de bem para que elas preencham os espaços que lhe pertencem em nossa política. Meu objetivo é tentar ajudar a levar empoderamento aos cidadãos que foram excluídos de nossa sociedade, que foram jogados à margem das decisões políticas, da distribuição dos benefícios de um Estado democrático.
Meu objetivo é tentar agregar as pessoas, para que juntas, sejam muitas, e possam impor o seu respeito àqueles que abusam do poder político, que não é seu, mas sim de todos nós.
Meu objetivo é tentar mostrar como o conhecimento e o esclarecimento são ferramentas democráticas imprescindíveis ao exercício da cidadania e às efetivas garantias dos direitos constitucionais de todos os cidadãos.
Tenho lutado e trabalhado muito para alcançar meus objetivos, independente de estar ou não ocupando cargos ou funções públicas.
E, independente de ser ou não eleito, com certeza continuarei lutando por meus objetivos.
Não quero ser eleito para ser mais um. Amarrado, amordaçado, representante não de cidadãos, mas de interesses de grupos econômicos e de oligarquias políticas.
Quero ser eleito sim, para representar pessoas de bem, conscientes e que acreditem nas minhas palavras e ações, nas minhas propostas, nos meus objetivos e nas qualidades que eu possa ter para efetiva-los.
Se houver pessoas assim o suficiente para me eleger, então serei representante delas no parlamento. Se não houver, paciência, continuaremos lutando, engajando cada vez mais pessoas de bem em nossa luta. Para que nas próximas eleições não seja apenas eu do grupo me oferecendo como candidato, mas existam muitos outros cidadãos de bem dispostos a darem sua contribuição política, ocupando os espaços, impedindo que os puderosos de plantão se perpetuem no poder. Garantindo que nós, nossos filhos e netos, possamos crescer todos em uma sociedade mais digna, mais consciente, mais engajada e, principalmente, mais coerente com os fins a que se pretende alcançar.
* Edson José Travassos Vidigal é candidato a deputado estadual nestas eleições pelo PTC, número 36222. É advogado membro da Comissão de Assuntos Legislativos da OAB-DF, professor universitário de Direito e Filosofia, músico e escritor. Especialista em Direito Eleitoral e Filosofia Política, foi servidor concursado do TSE por 19 anos. Assina a coluna A CIDADE NÃO PARA, publicada no JORNAL PEQUENO todas as segundas-feiras.
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quarta-feira, 9 de julho de 2014
O que aprendemos do 7 a 1 de Brasil x Alemanha
Por Edson Vidigal
Desde o final desse jogo, muito tem se discutido acerca dos motivos pelos quais o Brasil tomou essa goleada. E muito tem se atacado o governo do PT, os jogadores da seleção, o técnico Felipão, a cultura brasileira do jeitinho, os programas sociais do governo do PT, a forma marrenta e malandra com a qual tanto os jogadores brasileiros quanto boa parte de nossa população age no dia a dia, furando filas, corrompendo e sendo corrompidos, reclamando de tudo e não fazendo nada para mudar, pedindo sempre, e não dando quase nunca algo em troca, a falta de vontade de lutar para conquistar o que se almeja na vida etc.
E muitos têm concordado com tais alegações, e muitos outros tem atacado tais posicionamentos.
A partir de toda essa polêmica que foi gerada, penso eu que, acima de tudo, ganhamos o jogo. Ganhamos o jogo por vários motivos, dentre os quais gostaria de elencar alguns:
1- Os jogadores, mesmo sob forte pressão moral, abalados emocionalmente e enfraquecidos fisicamente e espiritualmente, depois de praticamente levarem 3 gols de uma só vez, não apelaram para a violência ou para qualquer outro artifício desleal ou apelativo. Mantiveram-se firmes, o mais firmes que puderam, dentro do espírito esportivo. Não desistiram. Tentaram e continuaram tentando. Mesmo sabendo que era quase certo que ainda iriam levar muitos outros gols, pois o time alemão estava muito bem preparado, engajado, enfim, era uma equipe coesa e forjada a partir de anos de preparação, e o Brasil, sem dois de seus principais jogadores, era um time ainda novo, que não estava preparado para esse desafio.
2- A torcida, mesmo abalada, e debaixo de uma goleada, ainda incentivou por muito tempo os jogadores brasileiros, dando exemplo de espírito de equipe, de sentimento de nação, de pertencimento.
3- Após o intervalo, os jogadores vieram decididos a se empenhar muito mais, como deveriam ter feito desde o início da copa. Ou seja, abaixaram a cabeça, entenderam o sentido e a necessidade da humildade e da luta para a conquista.
4- Mesmo após perderem feio, mantiveram a postura, o espírito esportivo. O seu líder maior, Felipão, os uniu, conversou com todos, assumiu a responsabilidade por todos os erros e os consolou como pode. Da mesma forma, os jogadores, dando exemplo de esportividade, de espírito de equipe e de espírito cívico, se pronunciaram ao povo brasileiro de forma digna, sem buscar culpados, sem se eximir de culpa, mostrando que haviam aprendido uma dura lição, uma lição que ainda estavam digerindo, mas que aceitaram dar valor, ao invés de negar e fingir que não era com eles.
5- Quando sempre ganhamos, parece que tudo vai bem, e aos poucos vamos nos perdendo de nossas origens, de nossos objetivos, de nossa luta. Do que somos. Quando sempre ganhamos, esquecemos que o objetivo não é ganhar, mas jogar. Jogar sempre. Estar sempre na luta por sermos cada dia melhores. Por nos superarmos a cada queda, a cada arranhão, a cada derrota. É dos erros que crescemos. Não dos acertos. O que acertamos é o que já sabemos. O que erramos nos leva a aprender algo novo. A crescer. A evoluir e a seguir sempre em frente. Essa partida serviu para nos lembrar, a todos, que precisamos nos arriscar a perder, a errar, mas, sempre, precisamos perceber nossos erros, buscar entendê-los, para que sejam superados, com força, dedicação e muito suor.
6- O sentimento de frustração pela derrota da seleção levou milhões de pessoas em nosso país a debaterem política, a discutirem política, a entenderem que uma seleção de atletas que se diz ser brasileira, que pretende representar nossa nação, tem, sim, responsabilidade política, e, sim, faz parte das discussões políticas. E espelha nosso governo, nosso povo, nossos problemas, nossas necessidades, nossas expectativas, nossos sonhos. Entender isso é muito salutar. A paixão brasileira que é o futebol deveria ser utilizada por nossos políticos para agregar. Para disseminar cultura, educação. Para fomentar bons exemplos. Exemplos de luta, de dedicação, de esforço, de suor do trabalho para conquistar os objetivos. Mas infelizmente a paixão brasileira pelo futebol é utilizada por nossos políticos para a alienação cultural, política, social. Para disseminar exemplos de vadiagem, de promiscuidades, mostrando orgias de jogadores, malandragens, picaretagens, jogadores que dizem com a maior cara de pau que não precisam treinar porque já nasceram prontos. Péssimos exemplos para nossas crianças, que são sempre o nosso futuro. O sentimento de frustração que o 7 a 1 pra Alemanha nos causou é muito salutar para todos os jogadores da seleção, para todos os demais jogadores e atletas brasileiros, e para toda nossa nação. Para que possamos repensar nossos valores, e entender que, melhor do que aprender macetes, é aprender o ofício da forma correta. Melhor que furar filas, é respeitar os demais que já estão esperando, para que, quando chegue a sua vez, você também seja respeitado.
7- Este jogo se transformará, para sempre, em um mito, uma alegoria a servir de exemplo a muitas reflexões. Uma tragédia grega que lembrará a todos os brasileiros, amantes do futebol, que nunca nascemos prontos. Que ninguém nunca está totalmente pronto pra nada. Que o caminho mais fácil leva à derrota. Que precisamos nos libertar dessa cultura do jeitinho, da marra, da arrogância, da malandragem. Que precisamos respeitar aqueles que lutam para conquistar seus objetivos. Que precisamos nos espelhar nesse tipo de gente. A seleção Alemã nos deu uma grande lição, não só de como se joga futebol, de como se arma uma equipe, de como se adquire condicionamento físico e técnica apurada, mas uma lição de vida: Que é do esforço, da seriedade, do comprometimento, da organização e, principalmente do trabalho de EQUIPE, que se extrai resultados nos jogos e na vida.
8- O governo federal vem se esforçando por meio de todos os veículos de comunicação possíveis, com mil pesquisas científicas e blá bla blás, em convencer os brasileiros de que a euforia da copa do mundo não contamina as eleições. Esse jogo vai mostrar a todos que é claro que contamina. Tudo contamina as eleições. As eleições refletem um estado emocional, psíquico, dos eleitores no momento do voto. Muitos se deixam levar pelas emoções, sem perceber que deste momento singelo vai depender durante, no minímo, os próximos quatro anos. Também podemos aprender com a seleção da Alemanha a, no momento do voto, em outrubro, não sermos imediatistas, abandonarmos os jeitinho, os falsos deuses, a malandragem, e termos humildade para parar, pensar, refletir, buscar entender que nunca estamos prontos o suficiente, e por isso precisamos estudar, ler, buscar o máximo de informações e nos capacitar para exercer o maior de todos os papéis que exercemos em nossa sociedade: o de cidadãos brasileiros conscientes. Só assim ganharemos esse jogo chamado Política Brasileira. Só assim sairemos vencedores dessa Copa do Mundo.
*Edson Travassos Vidigal é advogado membro da Comissão de Assuntos Legislativos da OAB-DF, professor universitário de Direito e Filosofia, músico e escritor. Especialista em Direito Eleitoral e Filosofia Política, foi servidor concursado do TSE por 19 anos. Assina a coluna A CIDADE NÃO PARA, publicada no JORNAL PEQUENO todas as segundas-feiras.
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segunda-feira, 7 de julho de 2014
Diego Emir: Edson Vidigal cria aplicativo para o eleitor “desv...
Diego Emir: Edson Vidigal cria aplicativo para o eleitor “desv...: Blog do Manoel Santos “Imagine se você pudesse desvotar aqueles políticos que receberam nossos votos, elegeram-se e depois esqueceram de nós...
quarta-feira, 2 de julho de 2014
domingo, 22 de junho de 2014
Ei, povo brasileiro!
Por Edson Vidigal *
“Ei, povo brasileiro! Não ponha suas crianças nas ruas para mendigar. Pois a saída de nossos problemas é a educação. Se você não teve sua chance, dê a seus filhos então…”
Concordo com os versos da música “Povo brasileiro”, da banda Natiruts. Penso que a única solução para os problemas que enfrentamos é a educação de nossas crianças. O real investimento que podemos fazer para o nosso futuro.
As crianças de hoje, se bem cuidadas, preparadas, educadas, serão os bons pais de amanhã, os cidadãos conscientes e preparados do futuro, os políticos sérios das eleições vindouras.
Por outro lado, se deixadas à sua própria sorte, serão os pedintes nas ruas, os bandidos nos presídios, os malandros nos bares e ruas, os nojentos “puderosos de plantão” de nossa política.
É triste ver “meninos nos sinais, mendigos pelos cantos, e o espanto nos olhos de quem vê o grande monstro a se criar”, como diria Hebert Viana (exemplo de perseverança, força de vontade e amor à vida e à arte).
Não é de asfalto e cimento que nossa sociedade precisa. É de educação de qualidade. De professores preparados, comprometidos e respeitados. De escolas que propiciem uma experiência saudável e prazerosa para as crianças, para que possam atrai-las para o aprendizado, afastando-as das drogas, da marginalidade, da malandragem, do caminho mais fácil que leva à perda da própria dignidade, que leva até mesmo à morte.
Precisamos abrir os olhos, deixar de sermos imediatistas, iludidos, enganados. Ingênuos que pensam que existem soluções miraculosas que resolvem da noite pro dia problemas crônicos que nos assolam há séculos.
Só resolveremos nossos problemas pensando não em nós, mas em nossos filhos, em nossos netos. O nosso tempo já está passando. Já estamos pagando por nossos erros, pelos erros dos que vieram antes de nós.
O que podemos fazer agora é impedir que nossos filhos paguem por nossos erros. Impedir que eles continuem pagando por erros de outros, em uma história que, se deixarmos, se repetirá ao infinito.
Precisamos abrir mão de nossas mesquinharias, de nossos falsos deuses, de nossas vaidades e de nossa visão interesseira e de nossa tendência de apenas querer obter vantagens pessoais imediatas.
Nossas crianças são o futuro, a única coisa de real valor que realmente temos. Precisamos investir nelas, para o bem do futuro de todos.
No futuro, estaremos velhos, e estaremos todos, sem exceção, nas mãos das crianças de agora. Se esse futuro será bom ou ruim, só depende das decisões acertadas ou erradas que tomarmos agora.
Só depende de nós.
Pois pois.
“AS CRIANÇAS SÃO O FUTURO, MAS O PRESENTE DEPENDE MUITO DE VOCÊ…” (Alexandre Carlo - vocalista da banda de reggae “Natiruts”)
INDIGNAÇÃO
- Falando em POVO brasileiro, lembro-me que, desde a semana passada, estão acontecendo as famosas convenções partidárias, onde, na teoria, os militantes de cada partido se reuniriam e, democraticamente, discutiriam ideias, propostas, e elaborariam plataformas políticas a serem apresentadas à população, juntamente com os seus candidatos, que, também, seriam escolhidos democraticamente pelos filiados. Por aquela parcela do POVO que aderiu à ideologia e ao programa de cada um desses partidos.
- O problema é que, na prática, o que vemos são eventos artificiais, onde os “puderosos de plantão” simplesmente oficializam os candidatos que foram previamente escolhidos a dedo por tais “caciques”, tendo por critério nada mais que os interesses pessoais desses “cartolas” de nossa política.
- Existem exceções, mas a regra é que os candidatos escolhidos, as coligações acertadas e todos os demais “arranjos” com vistas às eleições passam longe do interesse do POVO, que é expurgado desse processo de escolha (conveniente apenas aos interesses pessoais dos caciques de cada partido).
- Na visão destas criaturas, o POVO é apenas uma massa disforme, ignorante e mansa, obrigada a legitimar os candidatos que lhes forem apresentados, sejam eles quais forem. Ou seja, a democracia, o famoso “poder do povo”, passa longe de todo esse processo. Não me admira a completa apatia demonstrada pela população em relação a este importante momento, que impactará nos próximos 4 anos de nossas vidas. Ainda mais com uma “oportuna” copa do mundo acontecendo ao mesmo tempo…
- A célebre frase de Justo Veríssimo bem traduz o sentimento de nossos “puderosos de plantão”: “Eu quero é que o povo se exploda”!
*Edson Travassos Vidigal é advogado membro da Comissão de Assuntos Legislativos da OAB-DF, professor universitário de Direito e Filosofia, músico e escritor. Especialista em Direito Eleitoral e Filosofia Política, foi servidor concursado do TSE por 19 anos. Assina a coluna A CIDADE NÃO PARA, publicada no JORNAL PEQUENO todas as segundas-feiras.
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sexta-feira, 20 de junho de 2014
PELA INSTITUCIONALIZAÇÃO DO OSTRACISMO EM NOSSA LEGISLAÇÃO
Por Edson Vidigal *
Na democracia original, nascida e vivida na Atenas do século V antes de Cristo, existia um instituto chamado de "OSTRACISMO", com a função de proteger a democracia contra a possibilidade de acúmulo de poder de algum ou alguns cidadãos.
Isso se dava justamente para evitar os consequentes abusos de poder, que invariavelmente acabam levando ao enfraquecimento da democracia e, por fim, ao totalitarismo, às ditaduras, sejam oficiais, sejam veladas.
O OSTRACISMO era a imposição dada a algum cidadão de Atenas de ser banido da pólis por um período de 10 anos. Tal coação era imposta pela Assembléia àqueles que fossem considerados um perigo para a democracia por terem se tornado muito poderosos, muito influentes na pólis.
Qualquer cidadão poderia denunciar à Assembléia algum outro cidadão que se encontrasse nesta situação, e tal "denúncia" iria ser posta em votação. Os cidadãos, na Ágora, manifestavam seus votos no sentido de impor o OSTRACISMO àquele cidadão que por ventura fosse considerado detentor de muita influência sobre os demais, depositando em uma urna uma ostra.
Caso houvesse um número mínimo especificado de ostras depositadas, aquele cidadão denunciado era condenado ao OSTRACISMO, e era banido por 10 anos de Atenas. Daí o nome OSTRACISMO.
Como se pode perceber, no início da democracia, aqueles gregos já percebiam o perigo do acúmulo de poder, da falta de rotatividade no poder, da falta de respiração do poder político. Naquele tempo eles já tinham um remédio muito eficaz para se impedir a aglutinação e cristalização de poder na mão de um ou de uns.
De lá pra cá, muita coisa se perdeu, e nossa atual democracia se transformou em uma imensa demagogia, sendo apenas um belo fantasma a serviço de "puderosos de plantão" que acumulam poder a cada dia que passa, e morrem grudados às tetas de nossa Administração Pública, abusando de nossa boa vontade e do poder político de nosso Estado, que de nós emana, e, pelo menos na teoria, é nosso.
Seria de grande valia para nossa democracia ressuscitar o OSTRACISMO, implementando-o como mais um remédio constitucional para a salvaguarda de nossas instituições democráticas. Claro que não seria razoável o banimento de nosso país de tais criaturas, mas o banimento de nossos cargos e funções políticas por uma década, período suficiente para ajudar a desagregar o nocivo acúmulo de poder.
*Edson Travassos Vidigal é advogado membro da Comissão de Assuntos Legislativos da OAB-DF, professor universitário de Direito e Filosofia, músico e escritor. Especialista em Direito Eleitoral e Filosofia Política, foi servidor concursado do TSE por 19 anos. Assina a coluna A CIDADE NÃO PARA, publicada no JORNAL PEQUENO todas as segundas-feiras.
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